(Ângela Silva do Expresso) Sócrates não é feio. Mas acha Alberto João Jardim, que também é um vencedor, um homem bonito?
(JMJ) Mas aí estamos na Madeira. Jardim não passa no continente.”
In Revista Única, Caderno Expresso de 10 de Março de 2007 acerca de Marques Mendes.
Pois bem, realmente não há moral que se lhe ajuste ou ética que não o condene, mas terá ele alguma razão?
No limiar, o plano continental português actual, e refiro-me obviamente e apenas às cidades porque Portugal não tem interior (pois é povoado pelos ásperos intelectuais que se agarraram à cultura local portuguesa e essa, a meu ver, é desactualizada da presente e homogénea cultura europeia), insere-se na procura de espaço mediático entre a sociedade de consumo e o crescimento tecnológico-intelectual. Nesta realidade cresce um apoio incontestável ao, cada vez mais lugar-comum, metrossexual. “Ora não tem nada de especial!” – penso eu, porque o culto metrossexual já há há uns bons 6 anos e poderei dizer que fui um dos primeiros a abraça-lo sem medo de ser confundido com um dandy. Mas será comum ver o culto da imagem a circular pela política? Certamente que sim.
Ora nós, que gostamos de viver na eufórica procura e assimilação de tendências urbanas e que abraçamos conscientemente movimentos racionalistas que nos trazem ímpares momentos de confrontação entre, por um lado, a nossa consciência crítica, a nossa ética, a nossa coerência e a nossa “moral” e por outro lado, o mundo em que vivemos, tantas vezes desonesto e cruel como feio e repelente, como sendo uma projecção irrealista do que somos. Dizia eu, nós que gostamos de nos ver por momentos distanciados deste mundo (que reconhecemos…), somos imagem e não circulamos na política, ou será que circulamos? Certamente que sim.
Somos a imagem de uma sociedade alerta e activa que não se importa de rejeitar o que não é consciente, correcto ou de qualquer forma contra-natura. Efectivamente sabemos viver e extraímos da metrópole, fonte natural e foz da convergência e alocação de bens essenciais à vida desfrutada de forma consciente e questionada: as modas, as tendências, os pensamentos e filosofias que chegam de fora. Estas encontram nos citadinos a terra e o fertilizante necessário para crescerem e ganharem forma expandindo-se para outras culturas num perpétuo ciclo.
Portanto, posso afirmar com alguma alegria que já somos um país desenvolvido! Porquê? Porque os nossos políticos têm imagem! E isto é o que querem que o povo absorva da dita cultura desenvolvida: a nossa! No que me toca, recebem todo o meu apoio e aplausos, porque prefiro andar na rua a ver pessoas bonitas e arranjadas. Mas talvez eu seja pouco profundo!
